
O cenário observado neste dezembro repete o que ocorreu em 2024, quando, no mesmo mês, as chuvas de pré-estação também ficaram abaixo do esperado, com um acumulado de 27,6 mm. Na última década, o volume de chuvas em dezembro variou: em seis anos ficou abaixo da média histórica e, em quatro, acima do esperado.
Em 35 dos 184 municípios cearenses, não houve registro de chuva até o dia 30 de dezembro (veja a lista ao final da matéria). Já Quixelô foi a cidade que apresentou o maior acumulado do mês, com 139 milímetros, volume 220% acima do esperado para o período no local.
Histórico do volume de chuvas em dezembro no Ceará (2015 a 2024)
O meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Vinícius Oliveira, explica que “os sistemas meteorológicos que atuam no Estado nesta época do ano não foram frequentes, e com isso, tivemos poucas chuvas. Os maiores acumulados de precipitação ocorreram entre os dias 21 e 23 de dezembro, com acumulados de 123 milímetros em Quixelô no dia 22 e 125 milímetros em Aurora no dia 23”.
Essas chuvas de maior intensidade foram causadas pela atuação de Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN), sistema atmosférico que pode favorecer chuvas, e ocorreu uma única vez durante dezembro.
O mês de dezembro marca o início da pré-estação no Ceará e o período, que vai até janeiro, tem média pluviométrica de 136,1 milímetros, conforme registros da Funceme. Segundo o meteorologista Vinícius Oliveira, ela é causada “por sistemas meteorológicos como os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis, os VCANs, que trazem instabilidades e favorecem a formação de nuvens e chuvas irregulares”.
Além disso, aponta, também é gerada por “instabilidades oriundas de sistemas frontais que avançam sobre o leste do Nordeste, sendo que este último, pode trazer chuva especialmente para o sul do Ceará”. Ainda segundo a Funceme, as chuvas desse período são consideradas passageiras e de baixa previsibilidade, sendo bastante variável de um ano para outro.
Em alguns anos, as primeiras chuvas da pré-estação se concentram de forma mais significativa no Sul do Estado, especialmente na macrorregião do Cariri. A Funceme destaca que esta é a macrorregião que possui a maior média climatológica nesse período (dezembro e janeiro) que é de 219 mm.
Em dezembro, até o momento, nenhuma das macrorregiões registraram volume médio de chuvas acima do esperado. Mas, o Cariri é a região mais próxima de atingir a média histórica para o período com um volume acumulado de 66.8 mm, enquanto o esperado é 67.3 mm.
Cidades sem registro de chuvas em dezembro de 2025: